Antes de falarmos de pontos, meridianos ou fórmulas fitoterápicas, existe um conceito que sustenta toda a Medicina Tradicional Chinesa: o Yin e Yang.
Pode parecer um conceito filosófico simples ou até abstrato demais, mas a verdade é que sem dominar Yin e Yang, é impossível realizar um diagnóstico correto. Eles não são apenas opostos; são energias interdependentes que explicam o funcionamento do universo e do corpo humano.
O Que Representam?
De forma didática, podemos classificar todas as manifestações energéticas e fisiológicas dentro dessa dualidade:
- Yin: Representa o frio, a noite, o repouso, a estrutura (matéria), o sangue e os fluidos corporais. É a energia que nutre, acalma e dá forma.
- Yang: Representa o calor, o dia, o movimento, a função, o Qi (energia) e a transformação. É a energia que aquece, move e protege.
O Equilíbrio Dinâmico
A saúde, na visão da MTC, não é estática. É um equilíbrio dinâmico entre essas duas forças. - Se o Yin cai (Deficiência de Yin), não há quem controle o calor, e o paciente apresenta sintomas de “falso calor” (suores noturnos, agitação, boca seca).
- Se o Yang cai (Deficiência de Yang), não há quem aqueça o corpo, e o paciente apresenta sintomas de frio (mãos e pés gelados, apatia, metabolismo lento).
Por que começar por aqui?
Muitos alunos querem pular direto para os protocolos complexos, mas esquecem que a base de qualquer síndrome complexa (como a Síndrome Bi ou a Desarmonia Fígado-Baço) começa em um desajuste entre Yin e Yang.
Ao receber seu paciente, a primeira pergunta que deve guiar seu raciocínio é: “O desequilíbrio dele é de natureza Quente (excesso de Yang/deficiência de Yin) ou Fria (excesso de Yin/deficiência de Yang)? É de Excesso ou de Deficiência?”
Entender essa base é o que diferencia um aplicador de agulhas de um verdadeiro Acupunturista. Dominar o Yin e Yang é ter a bússola que guiará todo o seu tratamento.